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Tocando Agora:

Sobre Nós

Breve Histórico da EFAN
A Associação Escola Família Agrícola de Natalândia, denominada pela sigla AEFAN, foi criada em 15 de abril de 2003, com sede no Projeto de Assentamento Saco do Rio Preto, Município de Natalândia - MG, com Foro na Comarca de Bonfinópolis, MG. No prisma jurídico é uma entidade civil, sem fins lucrativos, com duração indeterminada, composta de famílias, pais e mães, educandos, egressos, pessoas e entidades afins. A discussão em torno da criação da Escola Família Agrícola surgiu no início da década passada, a partir da necessidade de oferecer um curso de ensino médio profissionalizante para jovens rurais da região, prioritariamente, filhos de assentados da Reforma Agrária, agricultores familiares, e trabalhadores rurais, egressos do Ensino Fundamental. Nesse compasso, os assentados dos Projetos de Assentamento Saco do Rio Preto, Mangal e Mamoneiras, no Município de Natalândia-MG, envolveram-se, inicialmente, contando posteriormente com representantes de municípios vizinhos, Dom Bosco, Bonfinópolis de Minas, Riachinho e Brasilândia de Minas que integraram ao movimento, fortalecendo esta luta para a realização de um sonho comum, qual seja: de uma “escola agrícola do campo”. A vontade e o sonho dos percussores ganhou viés concreto durante o I Seminário Regional sobre Escola Família Agrícola realizado em Paracatu, no ano de 2002, e organizado pela FETAEMG e seus parceiros, momento que se expôs aos interessados o procedimento para implantação e a adesão do município de Natalândia em requerer a implementação em seu espaço geográfico, realizando, assim, o sonho de uma educação contextualizada para o futuro dos jovens e para o desenvolvimento dos Assentados em seu próprio meio sócio-ambiental. A partir daí a implementação da Escola Família Agrícola de Natalândia decolou. A AMEFA- Associação Mineira das Escolas Famílias Agrícolas atendeu ao convite e participou do I encontro sobre o Projeto EFA, que aconteceu no Assentamento Saco do Rio Preto, ainda no ano de 2002, abraçando a causa e oferecendo o suporte técnico necessário. Do mesmo modo, o INCRA- Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária que realizava nessa época um diagnóstico com a finalidade de conhecer as necessidades prioritárias dos assentados da região, para planejar um Programa de consolidação visando à emancipação dos Assentamentos confirmou a necessidade dos assentados terem uma escola adequada ao desenvolvimento da agricultura familiar em Natalândia. Após análise dos dados diagnosticados, o INCRA propôs a implementação do PAC – Programa de Aperfeiçoamento e Consolidação de Assentamentos. Após a realização de vários encontros e reuniões, o “Coletivo de Educação” dos Assentamentos planejou uma Assembléia Geral que aconteceu no dia 15 de abril de 2003, na Câmara Municipal de Natalândia, evento que culminou na constituição da Associação Escola Família Agrícola de Natalândia. Posteriormente a constituição da Associação vieram os entraves burocráticos que permitiram o curso técnico em agropecuária começar a funcionar com sua primeira turma, apenas no ano de 2007, oportunidade em que teve 42 alunos matriculados que cursariam o ensino médio regular junto com o curso profissionalizante em regime de alternância. Contudo, sem instalações adequadas para oferecer o curso técnico no P.A Saco do Rio Preto, em 31 de março de 2009 o curso passou a ser ministrado em um endereço provisório, no perímetro urbano. Contudo, pecava-se ainda pela falta de infra-estrutura. Em 2010, pelo parecer 911/10 de 26 outubro de 2010 a Escola Família Agrícola de Natalândia teve autorizado seu credenciamento e funcionamento por estar em conformidade a Resolução 449/02 do CEEMG. Toda a complexidade que se estampa na luta pela construção da EFA Natalândia se confunde e entrelaça com a história das EFA’s em nível nacional e internacional. As Escolas Família Agrícolas, originárias na França a partir da década de 30 têm como base uma proposta metodológica de ação conjunta e como meta principal o desenvolvimento das potencialidades rurais.

O atual cenário da EFAN
Desafios e busca pela oferta de um curso técnico de excelência. O ano de 2013 é sem qualquer contestação o divisor de águas na história da Escola Família Agrícola de Natalândia. No início do ano, com recursos do INCRA, a EFAN passou a funcionar em novas instalações, sito no Assentamento Saco do Rio Preto, a área de 14 ha destinada a Escola permite executar no plano prático a partir de agora todas as demandas presentes na proposta curricular que alinhada a uma estrutura apropriada e indicada para alojar os alunos em seus dormitórios durante o período tempo-escola, assim como espaços adequados para a realização das seis refeições diárias (café da manhã, café no intervalo, almoço lanche da tarde, jantar e chá antes de dormir), assistir aulas teóricas, além de laboratório de análise, biblioteca, banheiros e espaço para acompanhar os telejornais, configura as instalações da escola numa extensão das residências dos estudantes. A adequada infra-estrutura permite alcançar a característica básica da Escola Família Agrícola que é a pedagogia da alternância, que proporciona uma estreita ligação entre Escola – Comunidade – Família, fazendo com que os educandos contextualizem a sua realidade de vida através dos instrumentos pedagógicos específicos da Pedagogia da Alternância. No tocante ao corpo funcional da EFAN este é constituído por profissionais qualificados, vide que mais de 90% possui curso superior completo e ao menos uma especialização, o que alicerçada a assessoria jurídica, coordenação pedagógica, coordenação técnica e coordenação de registros escolares permite a garantia do padrão de qualidade do ensino ofertado. No prisma legal, após muitas tentativas a EFAN teve, enfim, parecer favorável a abertura de curso técnico em agropecuária na modalidade pós-médio, permitindo, assim, atender, em menor tempo, alunos que já tenham cursado o ensino médio regular. Por esses motivos, a Escola conta atualmente com mais de sessenta alunos matriculados, naturais de distintos municípios da região noroeste do Estado: Dom Bosco, Brasilândia, Buritis, Natalândia, João Pinheiro, Unaí, Urucuia, Paracatu, Riachinho e Santa Fé de Minas, assim como uma excelente equipe de parceiros: FETAEMG, INCRA, AMEFA, Prefeituras da região, sociedade civil e empresas da região. Embora inúmeros avanços sejam visíveis nesses últimos anos, a Escola Família Agrícola de Natalândia tem um propósito maior, qual seja: a excelência do padrão de qualidade na oferta do curso técnico em agropecuária voltado a atender a agricultura familiar. É por essa razão, que todo planejamento a médio e longo prazo foram desenvolvidos neste ano, resultando no escopo coletivo de implementar, a titulo de exemplo: projeto de práticas sustentáveis, projeto mandala, estação experimental de maracujá, pocilga, aviário para corte e postura, comercialização da produção, desenvolver a pecuária leiteira, campo de semente com o intuito de atender a demanda dos assentados etc.. Além disso, pretende-se ampliar o número de famílias atendidas direta e indiretamente com as práticas desenvolvidas pela EFAN, motivo pelo qual pretende-se duplicar o número de matriculas para o próximo ano e executar com perfeição todos os instrumentos da pedagogia da alternância de modo a fortalecer a educação do campo, compreendida ao mesmo tempo como conceito em movimento, caracterizado pelo espaço de reivindicações e abrindo espaço para a efetivação do direito à educação, dentro e fora do Estado. A Escola Família Agrícola de Natalândia continuará sua jornada em busca de sua excelência e reafirma a necessidade de diálogo permanente entre as práticas educativas escolares e a educação popular, entre os diferentes sujeitos e instituições que as fazem acontecer no cotidiano para que possamos responder ás demandas que a sociedade e especialmente os segmentos socialmente excluídos trazem para dar continuidade ao seu processo de desenvolvimento pessoal, profissional e social.